Do homem à instituição: critérios ontológicos para a personalidade jurídica

Autores

  • Nicolas Alonso Tenório Wengrat

Palavras-chave:

Pessoa, Personalidade, Personalidade jurídica, Metafísica, Mereologia

Resumo

Investigou-se o conceito de personalidade jurídica a partir de uma análise mereológica, buscando fundamentos que transcendam o legalismo. Inicialmente, distingue-se a personalidade em sentido ontológico – vinculada à noção boeciana de pessoa – da personalidade jurídica, entendida por Pontes de Miranda como a capacidade de ser titular de direitos e deveres. Questionou-se se o ser pessoa em sentido ontológico é condição necessária e/ou suficiente para a personalidade jurídica, rejeitando-se o indiferentismo jurídico que subordina a existência da pessoa ao arbítrio legislativo. Com base em conceitos de mereologia (campo da metafísica preocupado com as relações entre parte e o todo), demonstra-se que pessoas jurídicas configuram “todos potenciais”, enquanto os órgãos se caracterizam como “todos integrais”, desprovidos de personalidade autônoma. Assim, conclui-se que a personalidade jurídica abrange as pessoas naturais – por serem entidades holísticas – e as entidades jurídicas holísticas dotadas de elemento humano, excluindo órgãos e estruturas intermediárias. O estudo pretende ofertar uma definição não arbitrária de personalidade jurídica resultante das considerações mereológicas.

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Biografia do Autor

Nicolas Alonso Tenório Wengrat

Pós-graduando pela Escola Superior da Advocacia, ex-advogado, servidor público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

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Publicado

12.12.2025

Como Citar

Nicolas Alonso Tenório Wengrat. (2025). Do homem à instituição: critérios ontológicos para a personalidade jurídica. Revista Eletrônica Da OAB-RJ, 1. Recuperado de https://revistaeletronicaoabrj.emnuvens.com.br/revista/article/view/786