Letramento Racial e Advocacia, Caminhos para uma Prática Jurídica Antirracista.
Palavras-chave:
letramento racial, racismo estrutural, história afro-brasileiraResumo
O letramento racial é apresentado como um processo educacional que busca ampliar a compreensão e a consciência dos indivíduos sobre questões raciais e étnicas, permitindo reconheçam os efeitos do racismo estrutural. O racismo estrutural, que alicerça a sociedade a partir de uma lógica enviesada e racista que naturaliza a desigualdade de direitos e acessos, está entranhado nas instituições, nas relações sociais e nos discursos, afetando diversas áreas da vida social, incluindo saúde, educação e mercado de trabalho. A exemplo, temos a violência obstétrica e o racismo médico como faces bastante cruéis do racismo, uma vez que as mulheres negras são desproporcionalmente afetadas por essas práticas, com dados que revelam, por exemplo, uma maior probabilidade destas mulheres receberem cuidados inadequados durante a gestação e o parto. Além disso, a institucionalização do racismo reverbera em todas as esferas da sociedade e das relações sociais e econômicas, sendo tangível a partir de estatísticas que revelam que pessoas negras detém maiores índices de analfabetismo e de evasão escolar, bem como um menor tempo de estudo se comparado com pessoas não negras. Apesar de legislações que tratam da necessidade de atualização dos currículos escolares trazendo a história afro-brasileira e indígena, a sua implementação ainda é bastante incipiente, assim como a aplicação efetiva da lei Caó que torna o racismo um crime imprescritível e inafiançável. Dessa forma, destaca-se a necessidade de uma prática jurídica antirracista, que reconheça e enfrente o racismo em todas as suas formas, promovendo uma atuação estratégica em defesa de direitos historicamente negados.
Downloads
Referências
ALMEIDA, Silvio. Racismo Estrutural. São Paulo: Pólen, 2019.
BAHIA, Bruno Cardoso de Menezes; SANTANA, Felipe Horácio Valente de Lucena; SIMPLICIO, Marcilene Dutra. Racismo estrutural, educação e identidade: uma análise crítica sobre a formação social brasileira. Revista Cadernos de Pesquisa em Educação, n. 58, 2023.
BANDEIRA, Elisangela; GOTUZZO, Laura Braga. Racismo estrutural no mercado de trabalho brasileiro: iniciativas inclusivas como forma de combate. Revista Ciências Sociais, v. 27, n. 128, 2023.
BENEDITO, Beatriz Soares; CARNEIRO, Suelaine; PORTELLA, Tânia (org). Lei 10.639/03: a atuação das Secretarias Municipais de Educação no ensino de história e cultura africana e afrobrasileira. Organização São Paulo, SP: Instituto Alana, 2023.
BENTO, Maria Aparecida da Silva. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
CARNEIRO, Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do racismo. Cadernos de Saúde Pública, v. 19, n. 4, 2003.
CARNEIRO, Suely. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil. São Paulo: Selo Negro, 2011.
CASSIMIRO, Bruno Nicacio. Racismo estrutural no mercado de trabalho e a importância das políticas públicas para a inclusão de pessoas negras no mercado de trabalho. 48 f. Monografia (Graduação em Ciências Econômicas) - Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2025.
CRUZ, Rosemary. Educação Antirracista e a Prática Docente: um olhar a partir da escrevivência e para as práticas das professoras da Escola M.E.F. Maria das Neves Lins (Bayeux-PB). Monografia (Graduação em Pedagogia). Universidade Federal da Paraíba, 2022.
GARCEZ, Simone Almeida. Narrativas do racismo estrutural no Brasil contemporâneo. 2021. 141 f. Dissertação (Mestrado em História) - Escola de Formação de Professores e Humanidades, Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 2021.
GOMES, Nilma Lino. Educação, identidade negra e letramento racial. Belo Horizonte: Autêntica, 2005.
LEAL, Maria do Carmo, GAMA, Silvana Granado Nogueira. Nascer no Brasil: pesquisa nacional sobre parto e nascimento. Cad. Saúde Pública. V.30, Suppl 1, 2014.
MARUCCI, Gabriel Henrique. Revisão de Literatura e Análise de Produções Acadêmicas sobre Educação Antirracista no Brasil. In.: Anais do XXVII encontro da ANPUH-SP, 2024.
MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. Petrópolis: Vozes, 2004.
OLIVEIRA, Diego Nascimento de et al. Desigualdade Racial e Discriminação: O Impacto do Racismo Estrutural nas Oportunidades de Educação e Trabalho. IOSR Journal of Business and Management, v. 26, n. 11, 2024.
PETSCHELIES, Erik. Raça e cultura no pensamento antropológico clássico. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 44, n. 96, 2024
PIMENTEL, Thaise Oliveira. Um Breve Intróito à Constituição Política do Império do Brasil de 1824. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, v. 4, n. 9, p. 57–90, 2017.
RIBEIRO, Djamila. Pequeno Manual Antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
RIBEIRO, Djamila. Quem tem medo do feminismo negro? São Paulo: Companhia das Letras, 2017.
SANTANA, Ariane Teixeira de; COUTO, Telmara Menezes; LIMA, Keury Thaisana Rodrigues dos Santos; OLIVEIRA, Patricia Santos de; BOMFIM, Aiara Nascimento Amaral; GUIMARÃES, Lilian Conceição; RUSMANDO, Lúcia Cristina Santos. Racismo obstétrico, um debate em construção no Brasil: percepções de mulheres negras sobre a violência obstétrica. Ciência & Saúde Coletiva, v. 29, e09952023, 2024.
SCHWARCZ, Lilia M.; STARLING, Heloisa M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
SILVA, Roberto da; TOBIAS, Juliano da Silva. A educação para as relações étnico-raciais e os estudos sobre racismo no Brasil. Revista do Instituto de Estudos brasileiros, n. 65, dez. 2016, p. 177-199.
SOARES, M. Alfabetização. In. FRADE, I.C.A.S.(Org.) Glossário Ceale. Termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores. 1.ed. Belo Horizonte: FAE, 2014.
SOUZA, Jessé. A Elite do Atraso: Da Escravidão à Lava Jato. São Paulo: Leya, 2017.