Mulheres Silenciadas:
Violência Obstétrica, Direitos Violados E Vulnerabilidade Social
Palavras-chave:
Violência obstétrica, vulnerabilidade social, direitos humanos, parto, saúde da mulher.Resumo
A violência obstétrica configura-se como uma grave violação de direitos humanos, frequentemente invisibilizada no contexto institucional brasileiro. Trata-se de um conjunto de práticas abusivas, físicas, psicológicas, verbais ou institucionais, que ocorrem durante a gestação, o parto, o pós-parto, o puerpério ou o abortamento, impactando de forma mais significativa mulheres em situação de vulnerabilidade social. Este artigo analisa a violência obstétrica como expressão de desigualdades estruturais de gênero, raça e classe, evidenciando como tais fatores influenciam a experiência reprodutiva feminina, especialmente no sistema público de saúde. A pesquisa fundamenta-se em revisão bibliográfica interdisciplinar e apresenta o caso Alyne Pimentel como exemplo paradigmático da negligência estatal e da responsabilização internacional do Brasil por violações à saúde reprodutiva. Conclui-se que a violência obstétrica, além de comprometer a saúde física e mental das mulheres, representa um obstáculo à efetivação dos direitos sexuais e reprodutivos, exigindo a implementação de políticas públicas eficazes e a responsabilização institucional.
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