A CADEIA DE CUSTÓDIA DA EVIDÊNCIA DIGITAL E O EXAME DE IDENTIFICAÇÃO DE FALANTES NO ÂMBITO DA PERÍCIA CRIMINAL MILITAR

Autores

  • Fatima Cristiane Cavalcante Martins

Palavras-chave:

cadeia de custódia, evidência digital, identificação de falantes, linguística forense, perícia criminal

Resumo

O presente artigo analisa a aplicação da cadeia de custódia à evidência digital, com ênfase no Exame de Identificação de Falantes. São discutidos fundamentos normativos, científicos e metodológicos, considerando legislação processual penal, normas técnicas e literatura especializada em Fonética e Linguística Forense. O estudo examina etapas de coleta, preservação e análise de arquivos de áudio, destacando riscos decorrentes da quebra da cadeia de custódia. Discute-se a importância da integridade, autenticidade e rastreabilidade dos arquivos de áudio utilizados como vestígios criminais e demonstra-se que a robustez probatória do Laudo Pericial depende da conjugação entre metodologia científica rigorosa e controle documental formal do vestígio digital. São expostos os parâmetros acústicos, percepto-auditivos e linguísticos empregados no Exame de Identificação de Falantes que garantem o rigor técnico na execução do Laudo Pericial. Conclui-se que a observância eficaz a protocolos técnicos é indispensável para assegurar validade científica e jurídica ao Laudo Pericial.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Fatima Cristiane Cavalcante Martins

Perita Criminal Militar lotada no Centro de Criminalística da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro desde 2014. Graduada em Fonoaudiologia e Letras. Especialista em: Fonoaudiologia Forense, Linguística Forense, Perícia em Arquivos de Áudio e Vídeo, Voz, Motricidade Orofacial e Análise Acústica Forense.

Referências

Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT NBR ISO/IEC 27037: diretrizes para identificação, coleta e preservação de evidências digitais.

BARBOSA, P. A. (org.). Análise fonético-forense: em tarefa de comparação de locutor. Campinas: Millennium Editora, 2020.

BRASIL. Código de Processo Penal. Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941.

BEHLAU, Mara. Voz: o livro do especialista. Rio de Janeiro: Revinter, 2001.

BRAID, Antonio Cesar Morant. Fonética forense. 2. ed. Campinas: Millennium, 2008.

CAGLIARI, Luiz Carlos. Fonética e fonologia do português: roteiro de estudos e guia de exercícios. 10. ed. São Paulo: Contexto, 2020.

CAMARGO, Katherine Cristine Costa. Caminhos para a linguística forense. Web Revista Página de Debates: Questões de Linguística e Linguagem, v. 1, n. 26, p. 20–29, 2020.

COULTHARD, Malcolm; JOHNSON, Alison. An introduction to forensic linguistics: language in evidence. 2. ed. London: Routledge, 2010.

DE ALMEIDA, Dayane Celestino; COULTHARD, Malcolm; SOUSA SILVA, Rui. Perspectivas em linguística forense. 2020.

DE CARVALHO FIGUEIREDO, Débora. Linguagem & direito: caminhos para linguística forense. Language and Law/Linguagem e Direito, v. 6, n. 2, p. 109–112, 2019.

FIORIN, José Luiz. Introdução à linguística I: objetos teóricos. 6. ed. São Paulo: Contexto, 2005.

GEFF. Protocolo geral para exame de comparação de locutor. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, [s.d.].

GONÇALVES, Jael Sânera Sigales. Práticas de análise em linguística forense. Language and Law/Linguagem e Direito, v. 8, n. 1, 2021.

HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

JORGE, Greice Kelly Oliveira. Fonética forense e suas contribuições na perícia criminal. 2018. 46 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Direito) – Centro Universitário Unieuro, Brasília, 2018.

LAVER, John. The phonetic description of voice quality. Cambridge: Cambridge University Press, 1980.

MARTINS, Fatima Cristiane. Exame de identificação de falantes: estudo de caso real com estratégia de disfarce. In: ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PERITOS CRIMINAIS FEDERAIS. Congresso Nacional de Peritos Criminais Federais; Simpósio Brasileiro de Ciências Forenses, 2021, Foz do Iguaçu. Livro de resumos: trabalhos científicos. 2021. p. 149.

REHDER, Maria Inês; CAZUMBÁ, Lucilene Forcin; CAZUMBÁ, Marivaldo. Identificação de falantes: uma introdução à fonoaudiologia forense. Rio de Janeiro: Revinter, 2015.

SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de linguística geral. Tradução de Antônio Chelini, José Paulo Paes e Izidoro Blikstein. 27. ed. São Paulo: Cultrix, 2006.

Scientific Working Group on Digital Evidence (SWGDE) best practices for forensic audio. Disponível em: https://www.swgde.org/documents. Acesso em: 20 fev. 2026.

TARALLO, Fernando. A pesquisa sociolinguística. 6. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.

TIMBANA, Alexandre António. A linguística forense: um desafio para a investigação criminal no século XXI. Revista Científica do ISCTAC, [S. l.], v. 3, n. 7, p. 30-38, jan./mar. 2016. ISSN 2519-7207.

VICHI, Leonardo. Manual básico de linguística forense: da análise do discurso ao perfilamento em investigações criminais. 2. ed. Alpheratz, 2021.

VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

Downloads

Publicado

06.03.2026

Como Citar

Fatima Cristiane Cavalcante Martins. (2026). A CADEIA DE CUSTÓDIA DA EVIDÊNCIA DIGITAL E O EXAME DE IDENTIFICAÇÃO DE FALANTES NO ÂMBITO DA PERÍCIA CRIMINAL MILITAR. Revista Eletrônica Da OAB-RJ. Recuperado de https://revistaeletronicaoabrj.emnuvens.com.br/revista/article/view/830