A GOVERNABILIDADE ALGORÍTMICA NA SAÚDE: MAPEAMENTO DE RISCOS JURÍDICOS E ESTRATÉGIAS DE DEFESA NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

ALGORITHMIC GOVERNANCE IN HEALTHCARE: MAPPING LEGAL RISKS AND DEFENSE STRATEGIES IN THE AGE OF ARTIFICIAL INTELLIGENCE

Autores

  • Gabriela Alves Guimarães OAB-RJ
  • Juliana Villaça OAB-RJ

Palavras-chave:

Inteligência Artificial, Direito da Saúde, Responsabilidade Civil, Proteção de Dados, LGPD, Governança Algorítmica

Resumo

A crescente inserção da Inteligência Artificial (IA) no setor de saúde inaugura uma nova
fronteira de desafios para o Direito. O presente artigo tem por objetivo analisar, sob uma
perspectiva crítica e multidisciplinar, os principais riscos jurídicos decorrentes dessa
transformação digital. A partir da avaliação de vetores como a qualidade e o viés das bases de dados, a opacidade dos investimentos do setor privado, as ameaças à
privacidade e a possível precarização da relação médico-paciente, o estudo examina a
adequação do arcabouço normativo brasileiro — incluindo a Lei Geral de Proteção de
Dados (LGPD), o Código de Defesa do Consumidor (CDC), o Código Civil,o Projeto
de Lei n° 2.338/2023 e a Resolução CFM nº 2.454/2026, que normatiza o uso de IA na
medicina — a essas novas realidades. Propõe-se, ao final, um mapeamento das
estratégias de atuação para os operadores do Direito na defesa dos diferentes agentes da
cadeia de saúde: pacientes, profissionais, instituições e desenvolvedores de tecnologia,
contribuindo para o debate sobre a necessária governança ética e legal dos sistemas
autônomos na medicina.

ABSTRACT

The increasing integration of Artificial Intelligence (AI) in the healthcare sector
introduces a new frontier of challenges for Law. This article aims to analyze, from a
critical and multidisciplinary perspective, the main legal risks arising from this digital
transformation. By evaluating factors such as the quality and bias of databases, the
opacity of private sector investments, threats to privacy, and the potential deterioration
of the doctor-patient relationship, the study examines the adequacy of the Brazilian
legal framework — including the General Data Protection Law (LGPD), the Consumer
Defense Code (CDC), the Civil Code, Bill No. 2,338/2023 and CFM Resolution No.
2,454/2026, which sets ethical-professional rules for the use of AI in medical practice—
to these new realities. Finally, it proposes a mapping of strategies for legal practitioners
in defending the different agents in the healthcare chain: patients, professionals,
institutions, and technology developers, contributing to the debate on the necessary
ethical and legal governance of autonomous systems in medicine.

Keywords: Artificial Intelligence. Health Law. Civil Liability. Data Protection.
LGPD. Algorithmic Governance.

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Biografia do Autor

Gabriela Alves Guimarães OAB-RJ

Gabriela Alves Guimarães é advogada, sócia da FourEthics Consultoria e Outsourced CCO & Advisor
da World Post, com dual MBA pela FGV-BR e Ohio University/ USA, especialista em Regulação de
Dados London School of Economics and Political Science, certificada pela SCCE/ USA como CCEP/ I –
Certified Compliance and Ethics Professional – International. Atuou como Compliance Officer de
multinacionais de ponta, tendo implementado ações corretivas e remediativas para adequação a acordos
firmados com o governo norte-americano, além de ter trabalhado para a ONU (PNUD) como auditora de
conformidade na Rio+20, evento do qual resultou a Agenda 2030. Como consultora, coordenou
investigações corporativas para casos emblemáticos, além de ter concebido e implementado Programas de
Compliance no Brasil e no exterior. Gabriela é também membro do Comitê Técnico que criou a DSC:
10.000, Auditora Líder Sistema de Gestão Antissuborno, Palestrante e autora de diversos artigos, dentre
eles para os livros ESG: O Cisne Verde e o Capitalismo de Stakeholder e Doze Leis de Combate à
Corrupção- Hércules em terras brasileiras.

Juliana Villaça OAB-RJ

Juliana Villaça é advogada, formada na Universidade Católica de Minas Gerais e pós-graduada em
Direito do Trabalho e Processual do Trabalho pela Faculdade Arnaldo. Com mais de 12 anos de
experiência como advogada in house e consultora jurídica, compliance e governança, Juliana tem larga
experiência nas indústrias da construção civil e química, também no atendimento de holdings não
financeiras, particularmente nas diligências pré-investimento. Como consultora da FourEthics
Consultoria, Juliana tem assistido diversas empresas em investigações corporativas e no aprimoramento
das práticas de governança e compliance. Membro da Comissão de Direito Digital, Empresarial,
Tributário e Compliance do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e da Comissão de Direito Digital
da OAB/MG. Autora de artigos publicados em revistas jurídicas nacionais e internacionais nas áreas de
compliance, ESG e direito digital.

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[^1]: O presente artigo é um exercício acadêmico que busca replicar o estilo de redação

técnico, crítico e fundamentado característico da obra de Gabriela Alves Guimarães,

respeitando as normas ABNT e a integridade das fontes consultadas. A autoria imputada

é meramente ilustrativa e com finalidade estilística.

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Publicado

29.04.2026

Como Citar

OAB-RJ, G. A. G., & OAB-RJ, J. V. (2026). A GOVERNABILIDADE ALGORÍTMICA NA SAÚDE: MAPEAMENTO DE RISCOS JURÍDICOS E ESTRATÉGIAS DE DEFESA NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: ALGORITHMIC GOVERNANCE IN HEALTHCARE: MAPPING LEGAL RISKS AND DEFENSE STRATEGIES IN THE AGE OF ARTIFICIAL INTELLIGENCE. Revista Eletrônica Da OAB-RJ. Recuperado de https://revistaeletronicaoabrj.emnuvens.com.br/revista/article/view/861