NEUROPLASTICIDADE, ALFABETIZAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS: fundamentos científicos para a garantia do direito à aprendizagem
Palavras-chave:
Neuroplasticidade, Alfabetização, Direitos das Crianças, Políticas Públicas, EducaçãoResumo
O artigo visa fornecer fundamentos científicos sobre a neuroplasticidade para a efetivação do direito à aprendizagem, no contexto da alfabetização. A neurociência passou a investigar o cérebro sob a ótica do desenvolvimento humano, através da neurociência da aprendizagem. Dentre estas investigações, uma das mais relevantes é a neuroplasticidade ou plasticidade cerebral. Tendo o objetivo de fornecer fundamentos científicos sobre a neuroplasticidade para a efetivação do direito à aprendizagem, para a otimização da alfabetização, articulando ciência, educação e política pública com vistas ao efetivo direito à aprendizagem na infância. Dados estes coletados por meio de revisão bibliográfica pautados em autores da área de neurociências, além de legislação vigente como a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Ao enfatizar o potencial contínuo do cérebro para aprender, a neuroplasticidade sublinha a necessidade de políticas públicas educacionais que sejam eficientes, inclusivas e baseadas em evidências. As práticas pedagógicas ligadas à neuroplasticidade reconhecem a importância dos vínculos emocionais, da escuta sensível e do respeito ao ritmo das crianças. As políticas públicas também devem adotar essa visão para apoiar o desenvolvimento de programas de intervenção precoce, o apoio especial ao ensino da aprendizagem das crianças e para monitorar o processo de alfabetização a fim de garantir o direito à aprendizagem para todas as crianças. Conclui-se que estas práticas pedagógicas baseadas nestas evidências científicas, associadas às políticas públicas comprometidas com a infância, são essenciais para assegurar o direito à aprendizagem.
ABSTRACT
This article aims to provide scientific foundations on neuroplasticity for the realization of the right to learning in the context of literacy. Neuroscience has begun to investigate the brain from the perspective of human development, through the neuroscience of learning. Among these investigations, one of the most relevant is neuroplasticity or brain plasticity. The objective is to provide scientific foundations on neuroplasticity for the realization of the right to learning, for the optimization of literacy, articulating science, education, and public policy with a view to the effective right to learning in childhood. This data was collected through a literature review based on authors in the field of neuroscience, as well as current legislation such as the 1988 Federal Constitution, the Statute of the Child and Adolescent, and the Law of Guidelines and Bases of National Education. By emphasizing the brain's continuous potential to learn, neuroplasticity underscores the need for efficient, inclusive, and evidence-based educational public policies. Pedagogical practices linked to neuroplasticity recognize the importance of emotional bonds, sensitive listening, and respect for children's pace. Public policies should also adopt this vision to support the development of early intervention programs, special support for children's learning, and to monitor the literacy process in order to guarantee the right to learning for all children. It is concluded that these pedagogical practices, based on scientific evidence, combined with public policies committed to childhood, are essential to ensure the right to learning.
KEYWORDS: Neuroplasticity; Literacy; Children's Rights; Public Policies; Education.
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