REPENSAR O CURRÍCULO ESCOLAR A PARTIR DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: UMA ANÁLISE CRÍTICA DA PRÁTICA DOCENTE
Palavras-chave:
Direito à educação, Currículo escolar, Dificuldades de aprendizagem, Educação inclusiva, Equidade educacionalResumo
Analisar as dificuldades de aprendizagem sob a perspectiva do direito à educação implica compreendê-las como fenômenos social e historicamente produzidos no interior das práticas escolares e das políticas educacionais. O presente artigo problematiza abordagens individualizantes e medicalizantes que tendem a responsabilizar os estudantes pelo fracasso escolar, deslocando o foco da análise para o papel do currículo na organização dos processos de ensino e aprendizagem e na efetivação do direito constitucional à educação. Fundamentado em uma abordagem teórico-crítica, de natureza bibliográfica, o estudo dialoga com autores da educação crítica e dos estudos do currículo, como Freire, Vygotsky, Patto, Apple, Arroyo e Gimeno Sacristán, articulando tais contribuições às discussões sobre prática docente, educação inclusiva e garantia de direitos educacionais. Argumenta-se que currículos marcados pela padronização, homogeneização e centralidade das avaliações externas podem comprometer a equidade educacional, ao desconsiderar a diversidade de trajetórias, tempos e modos de aprender. Em contraposição, defende-se a reorganização curricular a partir de princípios inclusivos, em consonância com marcos legais como a Constituição Federal de 1988, a LDB e o Estatuto da Pessoa com Deficiência, destacando a flexibilização do ensino, o Desenho Universal para a Aprendizagem e o uso articulado da Tecnologia Assistiva como possibilidades para a efetivação do direito à aprendizagem. Conclui-se que enfrentar tais problemas exige transformar o currículo em direção a uma perspectiva comprometida com a equidade, a inclusão e a garantia do direito à educação.
bstract
Analyzing learning difficulties from the perspective of the right to education implies understanding them as socially and historically produced phenomena within school practices and educational policies. This article problematizes individualistic and medicalizing approaches that tend to blame students for school failure, shifting the focus of analysis to the role of the curriculum in organizing teaching and learning processes and in realizing the constitutional right to education. Based on a theoretical-critical approach of a bibliographical nature, the study engages with authors of critical education and curriculum studies, such as Freire, Vygotsky, Patto, Apple, Arroyo, and Gimeno Sacristán, articulating these contributions to discussions on teaching practice, inclusive education, and the guarantee of educational rights. It is argued that curricula marked by standardization, homogenization, and the centrality of external assessments can compromise educational equity by disregarding the diversity of trajectories, times, and ways of learning. In contrast, curricular reorganization based on inclusive principles is advocated, in accordance with legal frameworks such as the 1988 Federal Constitution, the LDB (Brazilian Law of Directives and Bases of National Education), and the Statute of Persons with Disabilities, highlighting the flexibility of teaching, Universal Design for Learning, and the articulated use of Assistive Technology as possibilities for the effective realization of the right to learning. It is concluded that addressing these problems requires transforming the curriculum towards a perspective committed to equity, inclusion, and guaranteeing the right to education.
Keywords: Right to education; School curriculum; Learning difficulties; Inclusive education; Educational equity.
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