Governança digital da personalidade post mortem nas relações de consumo

Autores

  • Janaina Delgado Môcho Alves

Palavras-chave:

Inteligência Artificial, Direito do Consumidor, Governança Digital

Resumo

A expansão da inteligência artificial e das tecnologias digitais possibilitou a criação de serviços capazes de simular a personalidade de pessoas falecidas por meio da reconstrução de voz, imagem, mensagens e padrões comportamentais. Essa realidade apresenta novos desafios jurídicos, especialmente nas relações de consumo envolvendo plataformas digitais e familiares que buscam preservar memórias afetivas. O presente estudo analisa a oferta desses serviços sob a perspectiva do Direito do Consumidor e da governança digital, considerando a vulnerabilidade informacional e emocional dos usuários, bem como os deveres de transparência, consentimento, segurança e responsabilidade das plataformas. Defende-se que a simulação algorítmica post mortem não deve ser tratada apenas como inovação tecnológica submetida a contratos privados, mas como prática que envolve dados pessoais, direitos da personalidade e proteção consumerista, exigindo regulamentação compatível com o Código de Defesa do Consumidor e a Lei Geral de Proteção de Dados.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988.

BRASIL. Lei n. 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1990.

BRASIL. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Brasília, DF: Presidência da República, 2002.

BRASIL. Lei n. 12.965, de 23 de abril de 2014. Estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 2014.

BRASIL. Lei n. 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Brasília, DF: Presidência da República, 2018.

BRASIL. Projeto de Lei n. 2.338, de 2023. Dispõe sobre o desenvolvimento, o fomento e o uso ético e responsável da inteligência artificial com base na centralidade da pessoa humana. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, 2023.

COUTINHO, Diogo Rosenthal. O Direito nas políticas públicas. In: MARQUES, Eduardo; FARIA, Carlos Aurélio Pimenta de. A política pública como campo multidisciplinar. São Paulo: Editora UNESP, 2013. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4674527/mod_resource/content/1/1.2.%20O%20direito%20nas%20pol%C3%ADticas%20p%C3%BAblicas%20-%20Diogo%20Coutinho.pdf. Acesso em: 15 abr. 2026.

DECAT, Thiago Lopes. Racionalidade, valor e teorias do direito. Belo Horizonte: D’Plácido, 2015.

DEEPBRAIN AI. Re;memory: Immortality AI. Disponível em: site oficial da DeepBrain AI. Acesso em: 29 abr. 2026.

DONEDA, Danilo. Da privacidade à proteção de dados pessoais. Rio de Janeiro: Renovar, 2006.

DWORKIN, Ronald. Levando os direitos a sério. Tradução de Nelson Boeira. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

HARBINJA, Edina. Digital Death, Digital Assets and Post-mortem Privacy. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2024.

HEREAFTER AI. HereAfter AI: Interactive Memory App. Disponível em: site oficial da HereAfter AI. Acesso em: 29 abr. 2026.

HOLLANEK, Tomasz; NOWACZYK-BASIŃSKA, Katarzyna. Griefbots, Deadbots, Postmortem Avatars: on Responsible Applications of Generative AI in the Digital Afterlife Industry. Philosophy & Technology, 2024.

MENON, Pranav. Law and the Digital Reanimation of the Dead: A Regulatory Framework for the Afterlife Economy. Abingdon; New York: Routledge, 2026.

MULHOLLAND, Caitlin Sampaio. Dados pessoais sensíveis e a tutela de direitos fundamentais: uma análise à luz da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n. 13.709/18). Revista de Direitos e Garantias Fundamentais, v. 19, n. 3, p. 159-180, 2018.

ÖHMAN, Carl. The Afterlife of Data: What Happens to Your Information When You Die and Why You Should Care. Chicago: The University of Chicago Press, 2024.

PIAIA, Thami Covatti; BECK, Cesar; BOFF, Murilo Manzoni. Direito da personalidade e proteção da imagem post mortem: desafios e perspectivas frente à inteligência artificial e a ressurreição digital. Revista de Direito Civil Contemporâneo, São Paulo, v. 41, p. 33-66, 2024.

SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais: uma teoria geral dos direitos fundamentais na perspectiva constitucional. 14. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2021.

SCHREIBER, Anderson. Direitos da personalidade. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2013.

TEPEDINO, Gustavo. Temas de direito civil. Rio de Janeiro: Renovar, 1999.

UARE.AI. The Future of Personal AI. Disponível em: site oficial da Uare.ai. Acesso em: 29 abr. 2026.

YOU, ONLY VIRTUAL. Versonas: virtual personas of your loved ones. Disponível em: site oficial da You, Only Virtual. Acesso em: 29 abr. 2026.

Downloads

Publicado

23.06.2026

Como Citar

OAB-RJ, R. (2026). Governança digital da personalidade post mortem nas relações de consumo. Revista Eletrônica Da OAB-RJ. Recuperado de https://revistaeletronicaoabrj.emnuvens.com.br/revista/article/view/900